Teologia Reformada

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sábado, 28 de janeiro de 2012

Podcast do Eleitos de Deus. Como funciona?


Estamos com mais um canal de informação e divulgação da fé calvinista e reformada. O site Eleitos de Deus criou um canal de Podcast onde o internauta poderá ouvir as mensagens em áudio mp3 diretamente do site, baixá-los para o computador ou ouví-los através do iTunes, gerenciador multimídia da Apple.

O que é um Podcast?

Podcast é o nome dado ao arquivo de áudio digital, frequentemente em formato MP3 ou AAC (este último pode conter imagens estáticas e links), publicado através de podcasting na internet e atualizado via RSS. Também pode se referir a série de episódios de algum programa quanto à forma em que este é distribuído. A palavra é uma junção de Pod-Personal On Demand (numa tradução literal, pessoal sob demanda) retirada de iPod e broadcast (transmissão de rádio ou televisão). O podcast em vídeo chama-se "videocast", frequentemente em arquivo formato MP4.

O "podcast" surge então como um novo recurso tecnológico, um canal de comunicação informal de grande utilidade, que permite a transmissão e distribuição de noticias, áudios, vídeos e informações diversas na internet, o que contribui para a disseminação da informação de maneira fácil, rápida e gratuita.

Como ouvír um Podcast?

No próprio site, há um player onde será reproduzido o podcast. Mas, caso não queira ouví-lo, há um link para o download do podcast e você poderá ouvir no seu pc. Você poderá ouví-lo em seu mp3, celular ou qualquer outro dispositivo compatível.

Para receber podcasts em seu computador, o usuário deve instalar um agregador de informação em seu micro. Atualmente, um dos mais populares é o software gratuito iTunes, da Apple, que atualiza os programas selecionados pelo usuário. iPodder e Primetime Podcast Receiver também estão entre as opções. 

Para assinar via iTunes, copie o link do podcast no botão e cole no programa. Veja as imagens 1 e 2.

Imagem 1
Imagem 2
Para assinar via outro agregador de Feed RSS, é necessário cadastrar estes programas no agregador para que a atualização aconteça automaticamente. Assim, o usuário deve entrar na página de um podcast, clicar com o botão direito no link "RSS" ou "XML" -- XML ou --, selecionar a opção "copiar atalho" e colar o endereço selecionado no agregador. Do computador, estes arquivos podem ser transferidos para tocadores portáteis.

Feito isso, seu iTunes irá baixar novos podcasts automaticamente assim que estiver disponível. Caso contrário, assine o Feed RSS do nosso podcast e receba diretamente em seu e-mail.

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Objeções ao conceito da Cessação da Revelação – Parte II


Podem-se suscitar diversas objeções de natureza teológica contra a afirmação de que a revelação e os dons relativos à nova revelação cessaram. Tais objeções podem ser amplamente colocadas nestas três categorias:

1) Objeta-se que uma asseveração geral de que a revelação, hoje, cessou tem o efeito de limitar à Deus. É justo restringir a Deus, dizendo que Ele não pode comunicar-se com alguém por meio de revelação direta, caso Ele assim o queira? Não seria porventura uma atitude de presunção, sob quaisquer circunstâncias, limitar a Deus? Naturalmente que sim. Seria uma completa presunção por parte de alguém pressupor que poderia limitar a Deus. Ninguém tem o poder nem a autoridade de restringir a Deus em qualquer aspecto. No entanto, um antigo instrumento para instruir crianças pode oferecer um importante discernimento nesta matéria. O catecismo para as crianças em seu primeiro período de instrução pergunta: "Deus pode fazer alguma coisa?" A resposta contém certa profundidade que nem mesmo o mais sofisticado adulto deixaria de apreciar: "Sim, Deus pode fazer tudo segundo sua santa vontade."? Se Deus decidiu revelar-se de acordo com certo padrão, não significa limitar a Deus afirmar o que o próprio Senhor determina a esse respeito. Se Ele determina que o melhor para manter seu povo unido é requerendo dEle que busque fazer a vontade divina a partir de uma única fonte objetivamente conhecida, para o bem de todos, não seria para que o homem se proponha fazer a vontade divina, conhecida através de milhares de diferentes fontes individuais separadas pelo tempo e o espaço umas das outras?

Não significa limitar a Deus afirmar que a operação de milagres, como retratada no Novo Testamento, não ocorre hoje, se Deus mesmo determinou que esses sinais, atestando Cristo e seus apóstolos, têm servido seu propósito, ao confirmar uma vez por todas a verdade fundamenta necessária para o avanço da vida da igreja de Cristo. Suas poderosas obras realizadas entre os homens hoje são óbvias em todos os aspectos. Mas sua operação contínua no mundo de hoje não implica necessariamente que Ele pretenda dar prosseguimento às atividades miraculosas relativas a novas revelações. Ninguém pode limitar a Deus. Seria tanto blasfemo quanto presunçoso tentar restringir o Onipotente. A fé nEle, porém, não hesitará em afirmar que Ele agirá consistentemente em consonância com suas próprias intenções declaradas.

2) Objeta-se que os pagãos de hoje carecem do poder confirmador de sinais, maravilhas, profecia e línguas, justamente como o fizeram os pagãos do primeiro século. Por que seriam os homens de hoje negados as experiências revelacionais que poderiam ser instrumento para trazê-los à fé salvífica? Uma vez mais, porém, o padrão estabelecido na própria Palavra do Senhor deve ter precedência sobre as suposições hipotéticas engendradas pelas imaginações humanas. Seria de acordo com a Escritura afirmar que os dons extraordinários de profecia, línguas e milagres tiveram sua principal manifestação entre os pagãos que jamais ouviram? Ou não seria mais conclusivo, à luz dos fatos como registrados na Escritura, que os sinais miraculosos ocorreram, antes, entre aqueles que já haviam sido identificados como povo de Deus?

Sim, os pagãos ficaram amedrontados quando Paulo lançou ao fogo a peçonhenta serpente sem que a mesma lhe fizesse qualquer mal com sua mordedura (At 28.3-6). Sim, a igreja de Corinto pode ser caracterizada como uma Igreja predominantemente gentílica, na qual as línguas serviram de sinal para os incrédulos que acorriam às reuniões (1 Co 14.22). Mas era nas assembléias do povo de Deus que esses dons se manifestavam, não entre os pagãos que nada haviam ouvido. A esmagadora evidência aponta para o fato de que os dons de natureza revelacionaI funcionaram mais extensivamente entre as igrejas estabelecidas, confirmando a vontade de Deus entre seu povo, e não maravilhas operadas ante os olhos do mundo.

3) É a proclamação da verdade que toma os pecadores livres. Uma geração má e perversa busca basear sua fé no miraculoso, em vez de baseá-la na verdade de Deus claramente expressa (Lc 11.29). O Espírito Santo não necessita de milagres para convencer os homens em seus corações quanto à veracidade da Palavra de Deus, e nem devemos imaginar que Ele o faça. Uma fé vigorosa no poder da verdade do evangelho valerá muito mais para a salvação dos pecadores do que confiança nas obras miraculosamente deslumbrantes. O padrão estabelecido e o ensino explícito da Escritura consistem em que a clara proclamação da verdade é o método mais eficaz para a difusão do evangelho do que a operação de maravilhas. 

O. Palmer Robertson
Em: A Palavra Final - Resposta Bíblica à Questão das Línguas e Profecias Hoje, Ed. Os Puritanos, pág. 89-91.

domingo, 15 de janeiro de 2012

Os Cinco Pontos do Calvinismo


Embora o calvinismo não seja resumido somente aos famosos 5 Pontos (tulip), creio que uma idéia resumida dos principais pontos quanto à soteriologia (doutrina da salvação) da teologia reformada (calvinista) possa dar uma ajuda aos interessados. Eis aqui, então, um resumo dos famosos cinco pontos do calvinismo dispostos no histórico acróstico TULIP.

TULIP

Acróstico formado pelas iniciais, em inglês, das cinco doutrinas reformadas da salvação, conhecidas também como as Doutrinas da Graça.
  1. Depravação Total (Total Depravity)
  2. Eleição Incondicional (Unconditional Election)
  3. Expiação Limitada (Limited Atonement)
  4. Graça Irresistível (Irresistible Grace)
  5. Perseverança dos Santos (Perseverance of the Saints)
Depravação Total

A Bíblia diz que Deus criou o primeiro homem, Adão, à Sua imagem e semelhança. Deus fez um pacto com esse homem a fim de que, através da obediência aos Seus mandamentos, este pudesse obter vida. Contudo, o homem falhou desobedecendo a Deus deliberadamente, fazendo uso do seu livre-arbítrio, rebelando-se contra o seu Criador. Este pecado inicial de desobediência (conhecido como a Queda do Homem) resultou em morte espiritual e ruptura na ligação de sua alma com Deus, o que mais tarde trouxe também sua morte física. Sendo Adão o representante de toda a raça humana, todos caímos com ele e fomos afetados pela mesma corrupção do pecado. Tornamo-nos objetos da justa ira de Deus e a morte passou a todos os homens.

Toda a humanidade herdou a culpa do pecado de Adão e por isso todos nascemos totalmente depravados e espiritualmente mortos. A morte espiritual não quer dizer que o espírito humano esteja inativo, mas sim que o homem é culpado (tem um passado manchado) e corrupto (possui uma natureza má). A depravação total não quer dizer que os homens são intensivamente maus (que somos tão maus quanto poderíamos ser), mas sim que somos extensivamente maus (todo o nosso ser, intelecto, emoções e vontade estão corrompidos pelo pecado).

A depravação total também significa que o homem possui uma inabilidade total para restaurar o relacionamento com seu Criador. Por causa da depravação, o homem natural, por si mesmo, é totalmente incapaz de crer verdadeiramente em Deus. O pecador está morto, cego e surdo para as coisas espirituais. Desde a Queda o homem perdeu o seu livre-arbítrio e passou a ser escravo de sua natureza corrompida e por isso ele é incapaz de escolher o bem em questões espirituais. Todas as falsas religiões são tentativas do homem de construir para si um deus que lhe seja propício. Porém, todas essas tentativas erram o alvo, pois o homem natural por si mesmo não quer buscar o verdadeiro Deus.

Devido ao estado de depravação do homem, se Deus não tomasse a iniciativa de salvá-lo, ele continuaria morto eternamente. O homem natural sem o conhecimento de Deus jamais chegará a este conhecimento se Deus não ressuscitá-lo espiritualmente através de Jesus Cristo.

REFERÊNCIAS BÍBLICAS: Gn 2:17; Gn 6:5; Gn 8:21 / 1Rs 8:46 / Jo 14:4 / Sl 51:5 / Sl 58:3 / Ec 7:20 Is 64:6 / Jr 4:22; Jr 9:5-6; Jr 13:23; Jr 17:9 / Jo 3:3; Jo 3:19; Jo 3:36;Jo 5:42; Jo 8:43,44 / Rm 3:10-11; Rm 5:12; Rm 7:18, 23; Rm 8:7 /1Co 2:14 / 2Co 4:4 / Ef 2:3 / Ef 4:18 / 2Tm 2:25-26 / 2Tm 3:2-4 / Tt 1:15

Eleição Incondicional

Devido ao pecado de Adão, seus descendentes entram no mundo como pecadores culpados e perdidos. Como criaturas caídas, elas não têm desejo de ter comunhão com o seu Criador. Deus é santo, justo e bom, ao passo que os homens são pecaminosos, perversos e corruptos. Deixados à sua própria escolha, os homens inevitavelmente seguem seu coração corrupto e criam ídolos para si. Conseqüentemente, os homens têm se desligado do Senhor dos céus e têm perdido todos os direitos de Seu amor e favor. Teria sido perfeitamente justo para Deus ter deixado todos os homens em seus pecados e miséria e não ter demonstrado misericórdia a quem quer que seja. É neste contexto que a Bíblia apresenta a eleição.

A eleição incondicional significa que Deus, antes da fundação do mundo, escolheu certos indivíduos dentre todos os membros decaídos da raça humana e os predestinou para serem o objeto de Seu imerecido amor e para trazê-los ao conhecimento de Si mesmo. Esses, e somente esses, Deus propôs salvar da condenação eterna. Deus poderia ter escolhido salvar todos os homens (pois Ele tinha o poder e a autoridade para fazer isso), ou Ele poderia ter escolhido não salvar ninguém (pois Ele não tem a obrigação de mostrar misericórdia a quem quer que seja), porém não fez uma coisa nem outra. Ao invés disso, Ele escolheu salvar alguns e excluir (preterir) outros. Sua eterna escolha de determinados pecadores para a salvação não foi baseada em qualquer ato ou resposta prevista da parte daqueles escolhidos, mas foi baseada tão somente no Seu beneplácito e na Sua soberana vontade. Desta forma, a eleição não foi condicionada nem determinada por qualquer coisa que os homens iriam fazer, mas resultou inteiramente do propósito determinado pelo próprio Deus.

Os que não foram escolhidos foram preteridos e deixados às suas próprias inclinações e escolhas más para serem punidos pelos seus pecados. Não cabe à criatura questionar a justiça do Criador por não escolher todos para a salvação. Deve-se ter em mente que, se Deus não tivesse graciosamente escolhido um povo para Si mesmo e soberanamente determinado prover-lhe e aplicar-lhe a salvação, ninguém seria salvo.

REFERÊNCIAS BÍBLICAS: Dt 4:37; Dt 7:7-8 / Pv 16:4 / Mt 11:25; Mt 20:15-16; Mt 22:14 / Mc 4:11-12 Jo 6:37; Jo 6:65; Jo 12:39-40; Jo 15:16 / At 5:31; At 13:48; At 22:14-15 /Rm 2:4; Rm 8:29-30; Rm 9:11-12; Rm 9:22-23; Rm 11:5; Rm 11:8-10 /Ef 1:4-5; Ef 2:9-10 / 1Ts 1:4; 1Ts 5:9 / 2Ts 2:11-12; 2Ts 3:2/ 2Tm 2:10,19/1 Pe 2:8 / 2 Pe 2:12 / Tt 1:1 / 1Jo 4:19 / Jd 1:3-4 / Ap 13:8; Ap 17:17

Expiação Limitada

Embora Deus tenha resolvido salvar da condenação um certo número de homens, Sua santidade e justiça exigem que o pecado seja punido. Como os escolhidos de Deus são pecadores, uma expiação completa e perfeita era necessária. Jesus Cristo, o Filho de Deus feito homem, suportou o castigo merecido pelos pecadores e obteve a Salvação para os Seus eleitos.

A eleição em si não salvou ninguém; apenas destacou alguns pecadores para a salvação. Os que foram escolhidos por Deus Pai e dados ao Filho precisavam ser redimidos para serem salvos. Para assegurar sua redenção, Jesus Cristo veio ao mundo e tomou sobre Si a natureza humana para que pudesse identificar-se com os Seus eleitos e agir como seu representante ou substituto. Cristo, agindo em lugar do Seu povo, guardou perfeitamente a lei de Deus e dessa forma produziu uma justiça perfeita a qual é imputada aos eleitos ou creditada a eles no momento em que são trazidos à fé nele. Através do que Cristo fez, esse povo é constituído justo diante de Deus. Os eleitos são libertos da culpa e condenação como resultado do que Cristo sofreu por eles. Através do Seu sacrifício substitutivo, Jesus sofreu a penalidade dos pecados dos eleitos e assim removeu a culpa deles para sempre. Por conseguinte, quando Seu povo é unido a Ele pela fé, é-lhe creditada perfeita justiça pela qual ficam livres da culpa e condenação do pecado. São salvos não pelo que fizeram ou irão fazer, mas tão somente pela fé na obra redentora de Cristo.

A obra redentora de Cristo foi definida em desígnio e realização. Foi planejada para render completa satisfação em favor de certos pecadores específicos e, de fato, assegurou a salvação para esses indivíduos e para ninguém mais. A salvação que Cristo adquiriu para o Seu povo inclui tudo que está envolvido no processo de trazê-los a um correto relacionamento com Deus, incluindo os dons da fé e do arrependimento. Deus não deixou aos pecadores a decisão se a obra de Cristo será ou não efetiva. Pelo contrário, todos aqueles por quem Cristo morreu serão infalivelmente salvos. A redenção, portanto, foi designada para cumprir o propósito divino da eleição.

REFERÊNCIAS BÍBLICAS: 1Sm 3:14 / Is 53:11-12 / Mt 1:21; Mt 20:28; Mt 26:28 / Jo 10:14-15 /Jo 11:50-53; Jo 15:13; Jo 17:6,9,10 / At 20:28 / Rm 5:15 / Ef 5:25 / Tt 3:5 /Hb 9:28 / Ap 5:9

Graça Irresistível

Cada membro da Trindade divina – Pai, Filho e Espírito Santo – participa e contribui para a salvação dos pecadores eleitos. Deus Pai, antes da fundação do mundo, selecionou aqueles que iriam ser salvos e deu-os ao Filho para serem o Seu povo. Na época oportuna o Filho veio ao mundo e assegurou a redenção desse povo. Mas esses dois grandes atos – a eleição e a redenção – não completam a obra da salvação, pois está incluída no plano divino para a recuperação do pecador perdido a obra renovadora do Espírito Santo, pela qual os benefícios da obediência e da morte de Cristo são aplicados ao eleito. A Graça Irresistível ou Eficaz significa que o Espírito Santo nunca falha em trazer à salvação aqueles pecadores que Ele pessoalmente chama a Cristo. Deus aplica inevitavelmente a salvação a todo pecador que tencionou salvar, e é Sua intenção salvar todos os eleitos.

O apelo do evangelho estende uma chamada à salvação a todo que ouve a mensagem. Ele convida a todos os homens, sem distinção, a beber da água da vida e viver. Ele promete salvação a todo que se arrepender e crer. Mas essa chamada geral externa, estendida igualmente ao eleito e ao não eleito, não trará pecadores a Cristo. Por que? Porque os homens estão, por natureza, mortos em pecado e debaixo de seu poder. Eles são, por si mesmos, incapazes de abandonar os seus maus caminhos e se voltarem a Cristo, para receber misericórdia. Nem podem e nem querem fazer isso. Conseqüentemente, o não regenerado não vai responder à chamada do evangelho para arrepender-se e crer. Nenhuma quantidade de ameaças ou promessas externas fará um pecador cego, surdo, morto e rebelde se curvar perante Cristo como Senhor e olhar somente para Ele para a salvação. Tal ato de fé e submissão é contrário à natureza do homem.

Por isso, o Espírito Santo, para trazer o eleito de Deus à salvação, estende-lhe uma chamada especial interna em adição à chamada externa contida na mensagem do evangelho. Através dessa chamada especial, o Espírito Santo realiza uma obra de graça no pecador que inevitavelmente o traz à fé em Cristo. A mudança interna operada no pecador eleito o capacita a entender e crer na verdade espiritual.

No campo espiritual, são lhe dados olhos para ver e ouvidos para ouvir. O Espírito Santo cria no pecador eleito um novo coração e uma nova natureza. Isto é realizado através da regeneração (novo nascimento), pela qual o pecador é feito filho de Deus e recebe a vida espiritual. Sua vontade é renovada através desse processo, de forma que o pecador vem espontaneamente a Cristo por sua própria e livre escolha.

REFERÊNCIAS BÍBLICAS: Jr 24:7 / Ez 11:19-20; Ez 36:26-27 / Mt 16:17 / Jo 1:12-13; Jo 5:21; Jo 6:37; Jo 6:44-45 / At 16:14; At 18:27 / 1Co 4:7 / 2Co 5:17 / Gl 1:15 / Rm 8:30 / Ef 1:19-20 / Cl 2:13 / 2Tm 1:9 / 1Pe 2:9; 1Pe 5:10 / Hb 9:15

Perseverança dos Santos

Os eleitos não são apenas redimidos por Cristo e regenerados pelo Espírito; eles são mantidos na fé pelo infinito poder de Deus. Todos os que são unidos espiritualmente a Cristo, através da regeneração, estão eternamente seguros nEle. Nada os pode separar do eterno e imutável amor de Deus. Foram predestinados para a glória eterna e estão, portanto, assegurados para o céu. A perseverança dos santos não significa que todas as pessoas que professam a fé cristã estão garantidas para o céu. Somente os santos – os que são separados pelo Espírito – é que perseveram até o fim. São os crentes – aqueles que recebem a verdadeira e viva fé em Cristo – os que estão seguros e salvos nele. Muitos que professam a fé cristã desistem no meio do caminho, mas eles não desistem da graça, pois nunca estiveram na graça. A perseverança dos santos está diretamente ligada à santificação, que é o processo pelo qual o Espírito Santo torna os eleitos cada vez mais semelhantes a Jesus Cristo em tudo o que fazem, pensam e desejam. A luta dos crentes contra o pecado dura toda a vida e, às vezes, eles podem cair em tentações e cometer graves pecados, mas esses pecados não os levam a perder a salvação ou a afastar-se de Cristo.A Bíblia diz que o povo de Deus recebe a vida eterna no momento em que crê. São guardados pelo poder de Deus mediante a fé e nada os pode separar do Seu amor. Foram selados com o Espírito Santo que lhes foi dado como garantia de sua salvação e, desta forma, estão assegurados para uma herança eterna.

REFERÊNCIAS BÍBLICAS: Is 54:10 / Jr 32:40 / Mt 18:14 / Jo 6:39; Jo 6:51; Jo 10:27-29 / Rm 5:8-10; Rm 8:28-32, Rm 8:34-39; Rm 11:29 / Gl 2:20 / Ef 4:30 / Fp 1:6 / Cl 2:14 /2Ts 3:3 / 2Tm 2:13,19 / Hb 7:25; Hb 10:14 / 1Pe 1:5 / 1Jo 5:18 / Ap 17:14

Fonte: Eleitos de Deus

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Por Que Devemos Ser Explicitamente Teológicos?


Se não me engano, nossa igreja tem uma reputação de ser bastante teológica. Sei que por isso muitas pessoas têm vindo à nossa igreja. E imagino por que algumas pessoas têm saído dela, ou nem sequer nos procuraram. Mas nenhuma igreja deveria se desculpar por falar e gostar de teologia. Contudo – isto é uma importante advertência – se somos arrogantes com a nossa teologia, se a nossa paixão doutrinária é simplesmente um objetivo intelectual eticamente duvidoso, ou se somos completamente desproporcionais em nossos afetos para com outras doutrinas não tão consideráveis, então que o Senhor nos repreenda. Não devemos ficar surpresos se a teologia receber uma péssima classificação em tais circunstâncias.

Mas quando se trata de pensar, alegrar-se e edificar uma igreja sobre fundamentos bíblicos saudáveis, deveríamos todos desejar uma igreja profundamente teológica. Eu poderia citar muitos motivos para pregar teologicamente e muitos motivos para pastorear uma congregação que ama teologia. Vou citar seis:
  1. Deus se nos revelou na sua palavra e nos deu o seu Espírito para que pudéssemos compreender a verdade. Obviamente, não precisamos dominar todos os temas das Escrituras para sermos cristãos. Deus é gracioso para salvar muitos de nós com falhas de discernimento. Mas se temos uma Bíblia, sem mencionar os empecilhos materiais quando se trata de recursos impressos, por que não gostaríamos de entender o máximo possível da auto-revelação de Deus? Teologia é saber mais de Deus. Você não gostaria que sua igreja conhecesse mais de Deus?
  2. O Novo Testamento dá muito valor ao discernimento entre a verdade e o erro. Há um depósito de verdade que deve ser resguardado. Falsos ensinamentos devem ser lançados fora. Os bons ensinamentos devem ser promovidos e defendidos. Isso não acontece com alguns candidatos a Ph.D. insensíveis que se consomem diante de microfichas. Foi a paixão dos Apóstolos e do próprio Senhor Jesus que elogiou a igreja em Éfeso por ser intolerante com os falsos mestres e que odiava o comportamento dos Nicolaitas.
  3. Os mandamentos morais do Novo Testamento são fundamentados em proposições teológicas. Tantas epístolas de Paulo têm uma estrutura dupla. Os capítulos iniciais apresentam doutrina e os capítulos posteriores nos exortam à obediência. Doutrina e vida estão sempre conectadas na Bíblia. É por causa das misericórdias de Deus, à vista de todas as realidades sólidas teológicas em Romanos 1-11, que somos convocados a entregar nossas vidas como sacrifícios vivos em Romanos 12. Conheça a doutrina, conheça a vida. Nenhuma doutrina, nenhuma vida.
  4. Categorias teológicas nos capacitam mais e nos fazem regozijar mais profundamente na glória de Deus. Verdades simples são maravilhosas. É bom cantar hinos simples como "Deus é bom. Sempre!" Se você cantar isso com fé sincera, o Senhor se agrada. Mas ele também se agrada quando podemos cantar e orar sobre exatamente como ele tem sido bom conosco no plano da salvação e no alcance da história da salvação. Ele se agrada quando nos gloriamos na obra completa de Cristo, quando descansamos em sua providência todo-abrangente, e nos maravilhamos na sua infinitude e auto-existência; quando podemos nos deleitar em sua santidade e meditar na sua Trindade e Unidade e nos maravilhar com sua onisciência e onipotência. Estas categorias teológicas não têm a intenção de nos encher a cabeça, mas nos dar corações maiores que adoram com mais profundidade e sermos mais altos porque pudemos ver melhor o que há em Deus.
  5. A teologia nos ajuda e nos ensina a nos regozijar mais profundamente nas bênçãos que são nossas em Cristo. Repito, é doce saber que Jesus nos salva dos nossos pecados. Não há notícia melhor do que essa no mundo. Mas como seu deleite será mais completo e mais profundo se você compreender que a salvação significa eleição pela graça de Deus, expiação para cobrir seus pecados, propiciação para desviar a ira divina, redenção para comprá-lo para Deus, justificação diante do trono do julgamento de Deus, adoção na família de Deus, santificação constante pelo Espírito, e glorificação prometida no fim dos tempos. Se Deus nos deu tantas e tão variadas bênçãos multiplicadas em Cristo, não lhe ajudaria a honrá-lo compreendendo quais são elas?
  6. Até mesmo (ou seria especialmente) os que não são cristãos precisam de boa teologia. Eles não se entusiasmam quando ouvem uma pregação ordo salutis seca. Mas quem deseja pregações secas seja sobre lá o que for? Se você pode falar de maneira simpática, apaixonada, e simplesmente sobre as bênçãos da vocação verdadeira, da regeneração e da adoção, e sobre como todas essas bênçãos que se encontram em Cristo, e sobre como a vida cristã é nada mais nem menos do que aquilo que somos em Cristo, e como isto significa que Deus realmente deseja que sejamos sinceros, quando nascidos de novo e não como éramos nascidos no pecado – se você der tudo isso aos que anão são cristãos, e o der explicitamente, você lhes dará uma porção de teologia. E, se o Espírito de Deus estiver operando, eles poderão simplesmente voltar para buscar mais.
Não existem motivos para qualquer igreja ser algo menos do que robustamente teológica. As igrejas continuarão sendo de todos os formatos e tamanhos. Mas "sem teologia", ou pior, "anti-teológicas" elas não deveriam ser.

Kevin DeYoung
Em: Editora Fiel 

_________________________
Kevin DeYoung é o pastor da University Reformed Church em East Lasing, MI, EUA. Obteve sua graduação pelo Hope College e seu mestrado pelo Gordon-Conwell Theological Seminary. É autor de diversos livros, preletor em conferências teológicas e pastorais, é cooperador do ministério "The Gospel Coalition" e mantém um Blog na internet "DeYoung, restless and reformed". Kevin é casado com Trisha com quem tem 4 filhos.

Traduzido por: Yolanda Mirdsa Krievin

Copyright © Kevin DeYoung 2011
Copyright © Editora Fiel 2011

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Pastor iraniano Yousef Nadarkhani pode ser assassinado em segredo a qualquer momento


O pastor iraniano Yousseff Nadarkhani está preso desde 2009 sob a acusação de apostasia, por ter se desligado do Islã e se convertido ao cristianismo. Especialistas afirmam que, de acordo com a forma que o Irã costuma executar suas leis, o pastor pode ser morto a qualquer momento.

Segundo especialistas o governo do Irã está atrasando a conclusão do caso para dispersar a atenção que ele tem recebido internacionalmente.

As autoridades muçulmanas do país chegaram a dar ao jovem pastor uma alternativa: a de renunciar ao cristianismo para voltar ao islamismo, assim todas as acusações que pesam sobre ele seria retiradas. Porém Nadarkhani não aceitou negar sua fé em Jesus.

Agora novas preocupações surgem em torno do caso do jovem pastor. Jason DeMars, fundador do ministério Present Truth afirmou que “Não existem garantias de que ele [Yousseff Nadarkhani ] não será executado na prisão”. Segundo a CBN News DeMars afirma que “Pode acontecer a qualquer momento. Este é o caminho que o governo iraniano faz para executar pessoas. Eles não dão aviso prévio e fazem tudo em segredo”.

Autoridades internacionais continuam se manifestando sobre o caso, como Hillary Clinton, secretária do Estado americano que se posicionou contrária a sentença recebida pelo pastor.

Fonte: Gospel+

domingo, 1 de janeiro de 2012

Será que a Apologética leva o crente a se perder?


Muitos têm feito essa afirmação: “quem se mete em apologética termina se perdendo”.

Ora, o maior apologista que já existiu foi o próprio Jesus Cristo, pois Ele foi quem mais defendeu a fé contra os ataques dos religiosos, e ensinou a importância da fidelidade ao que está escrito, pois em Sua própria tentação defendeu-se utilizando a Escritura.

Os apóstolos deixaram grandes ensinos apologéticos, como Judas que fez uma carta inteira que é denominada como um chamado ao combate cristão; Pedro que exorta a sabermos responder com mansidão e temor aos questionamentos que nos são feitos, santificando a Cristo em nossos corações em primeiro lugar; Paulo que todos os dias estava nas praças das cidas para debater com os filósofos, aos sábados nas sinagogas para debater com os judeus e aos domingos reunindo-se com os irmãos.

Não vejo a apologética como uma ferramenta que desvia o crente do caminho, mas uma ferramenta que faz com que estejamos sempre alertas, vigilantes e sóbrios contras as armadilhas, ou melhor, contra as centenas ou milhares de armadilhas que são postas em nossos caminhos.

Normalmente, aqueles que se opõem a apologética são os mesmo que têm ensinado heresias e distorções e temem que suas máscaras caiam e sejam confrontados com a verdade da Escritura.

A apologética não deve servir para formar um exército de “xiitias” evangélicos que saem por aí brigando com todo mundo, não! A apologética deve servir como instrumento de esclarecimento da doutrina bíblica sadia e como ferramenta de evangelização. Afinal, devemos estar “preparados” para responder com mansidão e temor.

Acredito que a apologética não leva o crente a se perder, mas o ajuda a encontrar o verdadeiro Deus da Bíblia, livre dos estereótipos estabelecidos pela sociedade e pela religiosidade do ser humano. A apologética ajuda o estudante a ver Deus como Ele realmente é, e não como gostaríamos que fosse segundo nossa própria vontade e entendimento.

Jesus defendeu a fé, quando lhe perguntaram sobre os impostos, e Ele disse: “Dai pois a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus” (Mt 22:21).

Jesus defendeu a fé, quando disse que: “O meu reino não é deste mundo; se o meu reino fosse deste mundo, pelejariam os meus servos, para que eu não fosse entregue aos judeus; mas agora o meu reino não é daqui” (Jo 18:36).

Jesus defendeu a fé, quando açoitou os comerciantes na porta do templo: “E disse-lhes: Está escrito: A minha casa será chamada casa de oração; mas vós a tendes convertido em covil de ladrões” (Mt 21:13).

Jesus defendeu a fé, quando por várias vezes explicou os detalhes e minúcias da Escritura (Mt 26:31; Mc 7:6; Mc 14:21).

Jesus defendeu a fé, quando foi questionado (Mt 22:24).

A apologética é uma ferramenta que ajuda o crente a pensar, e pensar de forma coerente, sensata, lógica, correta e bíblica.

A apologética ajuda o crente a conhecer a verdade, e conhecendo a verdade se chega a liberdade. O problema é que muitos líderes religiosos pretendem manter suas “ovelhas” no aprisco da cegueira e escravidão.

“E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará” (Jo 8:32).

“Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade” (2 Tm 2:15).

“Jesus, porém, respondendo, disse-lhes: Errais, não conhecendo as Escrituras, nem o poder de Deus” (Mt 22:29).

“Tende cuidado, para que ninguém vos faça presa sua, por meio de filosofias e vãs sutilezas, segundo a tradição dos homens, segundo os rudimentos do mundo, e não segundo Cristo” (Cl 2:8).


Robson T. Fernandes
Em: CALEBE

sábado, 31 de dezembro de 2011

A vontade revelada de Deus e a vontade secreta de Deus


Na passagem do livro de Ezequiel que acabamos de considerar, o profeta não trata, de forma alguma, da questão por que algumas pessoas são convictas do pecado através da lei e outras não. Também não trata de por que algumas pessoas recebem a graça de Deus e outras não.

Precisamos estabelecer clara distinção entre a vontade revelada de Deus e a vontade secreta de Deus. Deus, de acordo com a sua vontade secreta, planejou que aqueles aos quais escolheu receberiam sua misericórdia. Não nos compete inquirir a questão, mas adorar reverentemente ao Senhor. Devemo-nos interessar por aquilo que Deus nos tem revelado e não por aquilo que Ele reserva para Si mesmo.

Aplicados ao nosso texto, esses pensamentos significam que Deus, oculto em sua majestade, não lamenta pela morte do pecador. Mas Deus, como Ele é revelado aos homens, lamenta sobre a morte que vê em seu povo, e tem agido de modo tal que pecado e morte possam ser eliminados. É impossível sermos orientados pela vontade secreta de Deus, pois não sabemos no que ela consiste. Basta-nos saber que a vontade secreta de Deus existe, de modo que venhamos a temê-Lo e adorá-Lo.

Se estamos falando de Deus, da maneira como Ele nos é revelado, é absolutamente certo dizer que a culpa é nossa se perecermos, porque, na verdade, a falha encontra-se na vontade do homem (Mt 23.27). Mas, por que Deus não remove essa falha de cada ser humano, ou por que nos considera responsáveis pelo erro que não podemos evitar, não nos compete indagar a respeito. E mesmo que indagássemos, não obteríamos resposta, conforme diz Paulo, em Romanos 9.20: "Quem és tu, ó homem, para discutires com Deus?"

Martinho Lutero
Em: Nascido Escravo, cap. 2, argumento 10, Editora Fiel

Agradecimentos, reflexões e projetos de um blogueiro para 2012


Último dia do ano sempre gera reflexões e avaliações do que foi feito de bom e de mau, de certo e de errado. Todos nós fazemos planejamentos e promessas. Alguns desses planejamentos e promessas são os mesmos de anos anteriores! E comigo não será diferente.

Agradeço a Deus pois Ele deu um final de ano com muitas bênçãos aos meus pais, diferentemente do começo de 211. Muitas dúvidas e inquietações marcaram o início de 2011. Mas soubemos manter a esperança graças a Deus e a recompensa disso foi uma alegria sem precedentes neses últimos meses!

Agradeço a Deus por passar mais um ano em meu emprego. Agradeço a Deus pela minha família, que começo com três e termina com quatro! Foram anos de muitas lutas e pressões na  vida familiar. Mas graças a Deus estamos superando... ainda superando...

Também agradeço a Deus pelos meus trabalhos (não remunerados, diga-se de passagem) na internet com meus sites. Percebo que muita gente têm se identificado com meu trabalho, acompanhando durante todo o ano o meu desenvolvimento na área de criação de sites. Sim, teve gente que me acompanhou durante todo o ano...

Agradeço a Deus pois muita gente, muita gente mesmo têm sido grandemente edificados com os estudos e artigos dos meus sites. Não estou me referindo aos meus textos propriamente (talvez em um site de quase 500 artigos, eu tenho escrito uns 5% do total). Mas são textos de grandes homens de Deus que viveram no passado e ainda nos falam hoje, e de pessoas que me ajudam nesse trabalho. Dou graças a Deus por João Ricardo, Gunnar Lima e Rev. Daniel Carneiro por acreditarem nesse trabalho "doido", enviando seus escritos para serem publicados. Não poderia também deixar de agradecer ao Renato da Silva Barbosa, por seu trabalho de tradução de textos para o site sem receber nada! A recompensa por tudo isso? Vidas sendo edificadas! Não há nada que supere isso!

Agradeço a Deus pela vida dos blogueiros cristãos que fazem parte dessa imensa blogosfera cristã. Seus ricos e preciosos textos têm me edificado muito. A troca de experiência foi incrível ao longo de 2011. Sei exatamente o que é ter um blog ou um site. É como um filho, que temos que cuidá-lo com muito esmero e carinho. Que em 2012 as nossas relações se intensifique cada vez mais. Que surja mais parcerias em prol do reino de Deus! Todos nós juntos na luta por um evangelho puro e simples! Nós presenciamos em 2011 o que a internet pode fazer numa sociedade marcado pela opressão e pela ditadura nos países árabes. Quem sabe, Deus se utilize deste meio para trazer a grande reforma espiritual que nossas igrejas brasileiras tanto precisam!

Agora um pedido de desculpas. Desculpa a todos aqueles que magoei ao longo deste ano. Desculpas se em algum momento fui rude demais. Às vezes, no calor das discussões, estrapolamos o limite do bom senso e do respeito aos que pensam diferente, dos que abraçam uma ideologia diferente da que eu penso.

Espero que em 2012 novas e salutares discussões apareçam. Espero que em 2012 as pessoas também aprendam que discutir doutrina e teologia sem apelar ou baixar o nível, ou até mesmo partir para confrontos pessoais. Que em 2012 saibamos discutir IDÉIAS. Sim, possamos discutir IDÉIAS, e não pessoas. Até porque, mesmo na nossa família, amamos aqueles que pensam diferente de nós, não é mesmo? E por que ser diferente no âmbito virtual com nossos blogs, sites e redes sociais?

Quantas amizades foram feitas ao longo deste ano! Amizade virtuais eu me refiro. Não irei citar nomes aqui para não correr no erro de esquecer de alguém. Mas foram amizades virtuais que acabaram se transformando em amizades reais e pessoais!

E os projetos? Espero em Deus que em 2012 que Ele me agracie com mais conhecimento na área de webdesign para, quem sabe, estar habilitado para exercer a profissão. A atividade é árdua, mas bastante agradável. 

Este ano de 2012 também é o ano onde voltarei a estudar. Graças a Deus fui aprovado na ETEPAM (Escola Técnica Estadual de Pernambuco) para cursar, durante 2 anos, o curso de Manutenção de Informática. Sinceramente, não consigo deixar de mexer num pc!!!!rsrs

E por último, e não menos importante, espero que em 2012 eu seja mais fiel a Deus. Que eu possa constantemente estar procurando caminhar nos caminhos de Deus e sendo o líder espiritual da minha esposa e filhos, conduzindo-os nos caminhos do Senhor.

Que em 2012 Deus me capacite para, ainda mais, trabalhar em prol da sua Igreja. Que Deus me conceda a graça de anunciar o evangelho de Jesus Cristo aos que estão distante, e anunciar as Verdades Bíblicas aos que estão perto!
Termino dizendo que, mesmo que sejamos influenciados por esse "espírito de ano novo", na verdade, não há mudança nenhuma no calendário, nada que possamos dizer: "sinto que este ano vai ser diferente". Não há nada de diferente no calendário de 2012. O que deve ser diferente é a nossa atitude, o nosso comportamento. Somos nós que devemos mudar. 2012 não será muito diferente do que esperamos que seja, se nós continuarmos a falar, pensar e agir como em 2011.

Peçamos a Deus a mudança que nossas vidas precisa. Que seja um ano de reformas espirituais dentro de cada um!

Feliz 2012!

sábado, 24 de dezembro de 2011

Agora virei inimigo dos crentes por causa do Natal


Atualizado em 16h36. 

Ao longo de 11 meses os crentes se juntam em prol da Verdade Bíblica, com a única intenção de combater as heresias e o evangelicalismo moderno. Combatemos o catolicismo, o pentecostalismo, o neopentecostalismo, o arminianismo, o liberalismo, o teísmo aberto, a teologia da libertação, a teologia da prosperidade, o espiritismo e um bocado de ensinos antibíblicos e heréticos.

Mas quando chegamos em dezembro, esses crentes se juntam ao católico, ao pentecostal, ao neopentecostal, ao arminiano, ao liberal, ao adepto do teísmo aberto, ao adepto da teologia da libertação, ao adepto da teologia da prosperidade, ao espírita e a um bocado de gente das mais diversas teologias e ensinos, todos juntos comemorando e desejando um Feliz Natal! É nesta época que todos se juntam e se misturam!

Agora os inimigos são outros. Os inimigos são os da mesma fé (outros se comportam como se nem fosse irmãos da mesma fé). Os inimigos são aqueles que não comemoram o Natal. 

Li na internet um texto que dizia ser esse o momento "propício para anunciar o evangelho de Cristo". Já em outro lugar, outro texto dizia ser esse "o momento mais adequado para evangelizar". Já outros afirmam que "o natal nos oferece uma excelente oportunidade de reconciliação e perdão". As pessoas estão mais propensas a pensar sobre si mesmas. Estão mais suscetíveis a reconhecerem seus erros (pecados também?) e a perdoarem os outros também. Pronto. Eis o momento mais oportuno para falar de Jesus a essas pessoas!

Quer dizer, então, que aqueles que não comemoram a data são os que menos evangeliza? Quer dizer que o natal virou sinônimo de crentes que evangelizam? Se eu não comemoro o Natal, então eu sou tido como um crente que não evangeliza. Será que alguém me trataria como uma pessoa crente? Tenho algo mais para falar no próximo post sobre esse assunto mas por hora me contento em dizer que a comemoração do Natal não pode fazer distinção entre crentes e crentes. Não sou menos crente do que aquele que comemora. A comemoração da festa do Natal não deve ser requisito numero 1 para a evangelização.

Deve ser mesmo o momento mais oportuno. Talvez o Espírito Santo não tenha forças suficiente para convencer o pecador em outras épocas do ano. Talvez a resistência do homem à ação do Espírito Santo seja mais fraco neste período do ano! Tá explicado o porquê de um blogueiro escrever que "é neste período onde acontece mais conversões", mais arrependimento do que em outras épocas do ano!

Será que essas pessoas estão mesmos refletindo sobre suas condutas ou apenas estão envolvidos nesse espírito de festa de tal maneira que, ao acabar esse período natalino, se esquecem de tudo e voltam ao seu estado normal? Acho difícil, pois os erros que as pessoas prometem não cometer, os pedidos aceitos de perdão e desculpas, os reconhecimentos de que precisam serem melhores pessoas logo, logo vão se desvanecendo à medida que vai passando este período. Será que Jesus continuaria sendo lembrado, como é no período natalino, após a festa?

Neste período, a prostituta pode desejar um feliz natal e, mesmo assim, continuar com sua prostituição. O assassino também pode desejar um feliz natal e, mesmo assim, continuar com seus assassinatos. O viciado em drogas também pode desejar feliz natal e continuar com seus vícios. O beberrão também pode desejar um feliz natal e continuar com sua vida de bebedice. O ladrão é outro que comemora o natal, mesmo estando na vida do crime. Que tipo de transformação essas pessoas sofrem por ocasião da festa? Será mesmo que devemos tratar este período como "propício" para falar-lhes de Jesus? Será que eles estão realmente propensos a "aceitar" a Jesus?

Depois do Natal e Ano Novo, a próxima grande festa é o Carnaval. Será que Jesus, os erros, os pecados e os perdões dados continuaria nos corações dessas pessoas ao chegar o Carnaval? Acho difícil.

Todos os argumentos em prol do Natal provém, nada mais, nada menos, do espírito emotivo do homem. São as emoções humanas que levam às pessoas a argumentarem a favor do Natal. Todos os argumentos que levantei ao longo deste post, nenhum deles, são baseados nas Escrituras! Veja esse argumento:

Como você reagiria se seu aniversário fosse esquecido pelas pessoas que você gosta tanto? Triste, né? Então, não faça o aniversariante ficar triste, comemore seu aniversário!

Vocês acham que este tipo de argumento pode ser chamado de "argumento bíblico"?

Não vou responder a este tipo de argumento agora. Pretendo escrever ainda hoje mais um post sobre este assunto e aí sim, falarei mais sobre esses tipos de argumento.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

A árvore de Natal, uma tradição milenar de povos pagãos

O hábito de usar uma árvore de folhas duradouras
como símbolo da fertilidade e vida eterna é antigo
A tradição de celebrar o Natal ao redor de uma árvore carregada de enfeites e luzes multicoloridas é um costume de vários séculos entre os povos cristãos, mas sua origem não é em absoluto cristã: surgiu entre povos pagãos escandinavos e germânicos que, posteriormente, se converteram na Idade Média.

Mas o hábito de usar uma árvore de folhas duradouras como símbolo da fertilidade e vida eterna é muito anterior a estes povos, que o adotaram após a chegada na Europa de antiqüíssimos costumes orientais.

De qualquer forma, foram primeiro os germânicos e depois os escandinavos que criaram a tradição de celebrar o Ano Novo colocando uma árvore na porta de casa ou dentro dela, com a finalidade de afastar os demônios durante todo o ano.

A árvore de Natal tal como a conhecemos hoje é bastante posterior a estes antecedentes. Provém de uma tradição medieval da Alemanha cristã, que consistia em colocar em casa, no dia 24 de dezembro, uma árvore na qual se penduravam maçãs para remeter à árvore do paraíso, da qual Eva tirou o fruto proibido para oferecê-lo a Adão.

Este hábito de recordar o pecado original no Natal foi evoluindo ao longo das gerações até que, em determinado momento, surgiu o costume de pendurar nos galhos da árvore ao invés de frutas, biscoitos ou doces em formas diversas, representando a hóstia, símbolo cristão de redenção, e freqüentemente na noite de Natal eram penduradas velas acesas.

Até o século XVI, este antigo costume se fundiu com outra tradição secular dos camponeses alemães: o de manter em casa, durante os dias de Natal, uma pirâmide de madeira com estantes onde eram colocadas folhas duradouras, velas e, no topo, uma estrela.

No século XVIII, entre os luteranos alemães a árvore adotou a forma e os enfeites da pirâmide, mas foi só no século XIX que a árvore de Natal passou a ser considerada uma tradição já antiga e arraigada.

No entanto, quando isto ocorreu, o antigo costume já havia chegado aos Estados Unidos, levado por colonos alemães, antes mesmo de se espalhar pelo resto da Europa, numa época de grandes migrações estimuladas pela vigorosa expansão do capitalismo americano.

Finalmente, no início do século XX, missionários cristãos europeus levaram a tradição da árvore de Natal para a China, pondo fim a uma viagem milenar.

Fonte: AFP
Extraído: JC

Papai Noel, um ícone cultural nascido no século IV

O sorridente personagem que encanta as crianças foi construído nos
últimos 17 séculos com elementos de mitos de diversas regiões e países

O simpático velhinho de roupa vermelha e barba branca, que vemos nestes dias com destaque em centros comerciais de todo o mundo, tornou-se um ícone cultural da sociedade de consumo do terceiro milênio.

Apesar de ter se inspirado em um bispo que viveu no século IV da nossa era, o sorridente personagem que encanta as crianças foi construído nos últimos 17 séculos com elementos de mitos de diversas regiões e países.

O personagem original foi bispo da cidade de Mira, no antigo reino de Lícia - na atual Turquia - de nome Nicolau, célebre pela generosidade com crianças e pobres, mas que, mesmo assim, foi perseguido e preso pelo imperador Diocleciano.

Com a chegada de Constantino ao trono de Bizâncio, o bispo Nicolau foi libertado e pôde participar do Concílio de Nicéia (325). Após a sua morte, foi canonizado pela Igreja Católica como São Nicolau. Surgiram, então, incontáveis histórias de milagres realizados pelo santo em benefício de pobres e desamparados.

Nos primeiros séculos após sua morte, São Nicolau tornou-se padroeiro da Rússia e Grécia, bem como de inúmeras sociedades beneficentes e das crianças, jovens solteiras, marinheiros, mercadores e prestamistas.

A partir do século VI, foram erguidas várias igrejas dedicadas ao santo, mas essa tendência foi interrompida com a Reforma, quando o culto a São Nicolau desapareceu da Europa protestante, com exceção da Holanda, onde era chamado de Sinterklaas.

Na Holanda, a lenda do Sinterklaas fundiu-se a antigas histórias nórdicas sobre um mago mítico que andava em um trenó puxado por renas, premiava com presentes as crianças boas e castigava as que se comportavam mal. No século XI, mercadores italianos que passavam por Mira roubaram relíquias de São Nicolau e as levaram para Bari.

A partir daí, essa cidade italiana onde o santo jamais colocou os pés tornou-se um centro de devoção e peregrinação.

No século XVII, emigrantes holandeses levaram a tradição de Sinterklaas para os Estados Unidos, cujos habitantes adaptaram o nome para Santa Claus, mais fácil de ser pronunciado, e criaram uma nova lenda, consolidada no século XIX, sobre um velhinho alegre e bonachão que percorria o mundo em seu trenó no Natal, distribuindo presentes.

Enquanto nos Estados Unidos ele era conhecido como Santa Claus, do outro lado do Atlântico, no Reino Unido, chamava-se Father Christmas (Papai Noel). Com um nome ou outro, o certo é que o personagem baseado no bispo Nicolau tornou-se rapidamente o símbolo do Natal - estimulando as fantasias infantis - e, principalmente, ícone do comércio de presentes de Natal, que movimenta anualmente bilhões de dólares.

A tradição não demorou a cruzar novamente o Atlântico, dessa vez renovada, e se espalhar para vários países europeus, em alguns dos quais Santa Claus mudou de nome. Na França, o Father Christmas dos ingleses foi traduzido para Père Noël, na Espanha para Papá Noel e em Portugal para Pai Natal, espalhando-se rapidamente pela América Latina.

Dizem ainda que o visual moderno do Papai Noel (roupas vermelhas e gorro com barrete branco) teria sido uma invenção da Coca-Cola, que nos anos 30 promoveu uma campanha repaginando o Bom Velhinho com as cores oficiais de seu produto.

Fonte: AFP
Extraído: JC

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Respostas comuns dadas por cristãos para a celebração do Natal


I. O texto de Romanos 14.5,6 não permite aos cristãos a celebração do Natal?

“Um faz diferença entre dia e dia, mas outro julga iguais todos os dias. Cada um esteja inteiramente seguro em sua própria mente. Aquele que faz caso do dia, para o Senhor o faz e o que não faz caso do dia para o Senhor não o faz" (Rm 14.5,6a).

1. Paulo, em sua epístola aos Romanos, lidava com uma situação única na igreja primitiva. Havia judeus crentes que “consideravam os dias santos da economia mosaica como dotados de santidade permanente". Os “dias" mencionados em Romanos eram dias ordenados por Deus na antiga economia. Paulo menciona “os dias santos e cerimoniais da instituição levítica". Quase todos os comentaristas concordam com essa interpretação. Paulo permite a diversidade na Igreja a respeito desses dias santos judeus por causa de circunstâncias histórias exclusivos. Quando Jesus Cristo morreu na cruz, os aspectos cerimoniais da lei (p.ex., sacrifícios de animais, dias santos, circuncisão etc.) foram cumpridos. Entretanto, antes da destruição de Jerusalém e do templo no ano 70 d.C., os  apóstolos permitiram certas práticas por parte dos cristãos de origem judaica desde que se  não lhes atribuísse a justificação. Em Atos 21.26, encontramos o apóstolo Paulo indo ao templo “anuncia[r] serem já cumpridos os dias da purificação". Aos judeus crentes acostumados a manter certos dias santos da economia mosaica foi permitida a continuação  dessas práticas durante certo tempo. Porém, destruído o templo, completado o cânon das  Escrituras, e a existência da Igreja durante uma geração completa, essas circunstâncias  históricas únicas findaram. E mesmo que essa passagem posse aplicável à situação presente, ela não poderia ser utilizada para justificar o Natal, porque os dias mencionados por Paulo não foram “cristianizados" a partir de dias santos pagãos nem de dias santos arbitrariamente estabelecidos por seres humanos. Portanto, se essa passagem ainda fosse aplicável em nossos dias, ela seria usada apenas para justificar a celebração privada dos dias santos judaicos por crentes judeus “fracos" na fé. Ela não pode ser usada como justificativa para dias estabelecidos por seres humanos ou dias pagãos não ordenados por Deus.

2. Essa passagem não apenas não permite aos cristãos celebrar o Natal, mas ela também proíbe a celebração de cultos de Natal de qualquer tipo, bem como festas natalinas. Paulo permite a diversidade na Igreja a respeito deste assunto (i.e., os dias santos dos judeus). Ambos os grupos devem se aceitar mutuamente em busca de paz e unidade na Igreja. Os dois lados crêem obedecer a Palavra de Deus. “A conformidade forçada ou a pressão exercida com o objetivo de assegurar a conformidade anula os objetivos aos quais as exortações e reprimendas são dirigidas." Dessa forma, seria errado que os crentes judeus fracos levassem a Igreja a ter um culto de adoração em honra de um dia santo cerimonial, porque os crentes gentios fortes não se sentiriam compelidos a estarem presentes nesse culto público a Deus. Portanto, aqueles que celebravam os dias santos judaicos faziam-no em particular para o Senhor. Quem usa essa passagem para justificar a celebração do Natal deveria, da mesma forma, sentir-se forçado pela injunção de Paulo a manter o dia em caráter privado. Então, cultos natalinos e festas de Natal na Igreja deveriam cessar pela violação da liberdade cristã de não celebrar essa data. É claro que pelo fato de o Natal não ser ordenado por Deus e constituir um monumento à idolatria, sua celebração é proibida[1].

Pastores e presbíteros que autorizam a celebração do Natal abusam de seu ofício. O pastor e os líderes de uma igreja recebem sua autoridade de Deus. Eles são responsáveis por reger a igreja de acordo com a Palavra de Deus. Quando pastores e presbíteros autorizam o culto especial de Natal, eles o fazem por conta própria, pois não há garantia da Palavra de Deus para proceder assim. Portanto, neste ponto ele não age de modo diferente de um papa ou bispo, introduzindo invenções humanas na Igreja. As pessoas na igreja que se recusam a tomar parte no dia festivo pagão-papal, que se recusam a adorar a Deus de acordo com a imaginação humana, que se recusam a adorar a Deus sem autorização divina, são forçadas pela liderança local a permanecer em casa em vez de estarem presentes ao culto público a Deus. Portanto, neste ponto, muitos presbíteros atuam como papas, prelados e tiranos em detrimento do rebanho de Deus por tirarem a liberdade que temos em Cristo para adorar a Deus como corpo “em espírito e verdade", publicamente, no dia do Senhor.

II. Os judeus nos dias da rainha Ester não estabeleceram um dia santo não autorizado pela lei de Moisés? Este exemplo não permite que a Igreja estabeleça dias santos (p.ex., Natal) não autorizados pela Bíblia?

1. Quase não há semelhanças entre o Natal e Purim. Purim consiste em dois dias de ação de graças. Os acontecimentos do Purim são: “alegria e gozo, banquetes e dias de folguedo [...] e [o envio de] presentes uns aos outros e dádivas aos pobres" (Et 8.17; 9.22). Não havia culto público, atividades dos levitas e nem cerimônias. Os dois dias de Purim têm mais em comum com o dia de ação de graças e com jantares de família que com o Natal. Essa data certamente não é a justificativa para os cultos natalinos. Sua celebração é mais parecida com os dias de ação de graças, que ainda são permitidos, e não com os dias santos cerimoniais do sistema levítico. De fato, os teólogos de Westminster usaram a celebração de Purim como texto-prova para a autorização de dias de ação de graça (Et 9.22)[2].

2. Purim foi um acontecimento histórico único na história da salvação de Israel. O festival foi decretado por autoridades civis: pelo primeiro ministro Mardoqueu e pela rainha Ester. O povo concordou de forma unânime. A ocasião e autorização de Purim estão escritas na Palavra de Deus e foram aprovadas pelo Espírito Santo. O imperativo bíblico de não adicionar nem subtrair aplica-se às leis e adoração estabelecidas por seres humanos. Ela certamente não proíbe o Espírito Santo de completar o cânon da Escritura e instituir novas regulamentações.

3. O Natal é intrinsecamente imoral por ter sido estabelecido sobre monumentos da idolatria pagã. Não há nada errado um país manter um dia de ação de graças por um ato especial de libertação divina. Contudo, há algo muito errado quando uma igreja corrupta tenta dar características cristãs a vestimentas pagãs; e algo muito errado quando protestantes conspiram com a Igreja corrupta de Roma e usam o piedoso Mardoqueu como desculpa.

III. Não se questiona que o Natal não tenha lugar no culto público a Deus, mas não seria correto celebrá-lo em particular?

O problema com esse conceito é o pressuposto de que o Princípio Regulador do Culto seja restrito apenas ao culto público. Não existe evidência bíblica para apoiar o uso do Princípio Regulador apenas nessa ocasião. De fato, a Bíblia apóia o conceito oposto. Caim foi condenado por uma inovação no culto particular (Gn 4.2-8). Noé, em um culto familiar, ofereceu animais limpos a Deus (Gn 8.20,21). Deus se agradou e aceitou a oferta de Noé a favor de si mesmo e de sua família. Abraão, Jacó e Jó ofereceram sacrifícios a Deus em cultos particulares ou familiares de acordo com a Palavra de Deus. Deus aceitou essas ofertas legais. A idéia de permissibilidade de inovações no culto em família ou particular não é bíblica; é totalmente arbitrária por não se basear na revelação divina. Se uma novidade desagrada a Deus no culto público, como ela poderia agradá-lo no culto particular. Se fosse assim, de acordo com essas premissas, poderíamos possuir em casa pequenas capelas onde queimaríamos incenso, vestiríamos sobrepelizes, mitras, evitando apenas o uso dessas coisas em cultos públicos.

Existem algumas diferenças entre o culto público e o particular (p.ex., o culto particular pode ser feito duas ou três vezes por dia, ao passo que o culto público deve ser realizado pelo menos uma vez a cada dia do Senhor). Indivíduos nas denominações reformadas que trouxeram inovações não bíblicas como o Natal, mulheres ensinando Bíblia e teologia para homens em estudos bíblicos e aulas de escola dominical, a introdução de hinos e melodias de Natal etc., não procuram justificar essas práticas mediante a Escritura. Em vez disso, elas arbitrariamente regulamentam essas atividades sem consultar o Princípio Regulador do Culto ao dizer que elas se encontram na esfera do culto particular. Pastores e rebanhos se encontram tão apaixonados por essas inovações que partem para a mistificação. Agem como se pastores, papas ou bispos possuíssem autoridade para transformar o culto particular (no qual presumem a permissão da autonomia humana) em culto público (onde a Palavra reina suprema) ao dizer: “Agora tem início o culto público a Deus". Em que parte da Bíblia o culto público é relegado a poucas horas no dia do Senhor. Jesus Cristo disse: “Porque, onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, aí estou no meio deles" (Mt 18.20)[3]. Como pode uma mulher ensinar homens em particular no domingo. Como poderiam cinqüenta pessoas cantar canções natalinas no culto particular. Não presuma a permissão divina para inovações e autonomia humana no culto particular. Tente prová-las pela Palavra de Deus. Você não conseguirá. Não declare arbitrariamente que suas práticas se referem ao culto particular quando são próprias do culto público. Os rabinos do passado justificavam todo tipo de coisas sem sentido com o mesmo raciocínio.

A Bíblia diz: “um pouco de fermento faz levedar toda a massa" (1Co 5.6; Gl 5.9). Quando presbíteros e pastores presbiterianos pararam de disciplinar membros da igreja por causa da celebração doméstica do Natal nos séculos XIX e XX, praticamente permitiram que o fermento pagão-papista do Natal se espalhasse. De fato, foi o que aconteceu. Deve-se procurar bastante para encontrar um lar de presbiterianos onde a invenção papista não seja celebrada[4].

IV. Nós não celebramos o Natal. Para nós o dia é apenas um dia comum em família. O que poderia haver de errado nisso?

Há 365 dias no ano. É interessante que o dia anual da reunião da família ocorra exatamente em 25 de dezembro. Por acaso vocês não estariam imitando seus vizinhos pagãos e sua cultura. Vocês não estariam celebrando o dia, como os demais e apenas declarando o secular como justificativa ou desculpa. Se você estiver passando um dia agradável em família, você encherá sua sala com monumentos e lembranças da idolatria passada e presente. Você diz ser apenas um dia secular em família, mas você tem uma árvore de Natal, sempre verde, visco, presentes, velas e cantigas. É óbvio que vocês celebram o Natal da mesma forma que os papistas. A verdade é que se vocês eliminarem toda a parafernália pagã do Natal, então provavelmente não se incomodarão em celebrá-lo. O dia pagão perderia seu fulgor, charme e atração emocional. Como cristãos devemos nos dedicar à família. Devemos nos reunir com nossos parentes e usufruir mutuamente de sua companhia. Mas não precisamos de um dia de festa pagã para fazê-lo.

Conclusão

Se a Igreja de Jesus Cristo deve ser sal e luz para nossa cultura degenerada, ela deve purificar a própria casa. Mais e mais cristãos têm tentado impactar positivamente nossa cultura pagã. Eles tentam resgatar a data do humanismo secular e do estadismo. Esse novo envolvimento é necessário, mas ele não será bem-sucedido até que a Igreja retorne à pureza doutrinária e do culto alcançada pela ala calvinista da Reforma. O Estado romano pagão com todo o seu poder não conseguiu destruir a Igreja cristã. A Igreja prosperou a despeito da tirania e da opressão do Império Romano. O que causou o colapso da Igreja foi a decadência interna. A corrupção da doutrina e do culto na Igreja a tornaram uma fonte de heresia, superstição, idolatria e tirania.

O evangelicalismo moderno se encontra em um sério estado de declínio. O movimento de crescimento da igreja, o movimento ecumênico, o pragmatismo e a manutenção da paz têm precedência sobre a integridade doutrinária e o culto puro. Como resultado, o evangelicalismo moderno é frouxo, comprometido, impotente e morno. Não é simples coincidência que a Igreja tenha tido um impacto mais positivo sobre a sociedade e a cultura quando sua doutrina e culto eram mais puros (p.ex., o segundo período da Reforma na Escócia, 1638). Só quando retornarmos ao culto bíblico rejeitaremos a autonomia humana.

_________________________
Notas:
[1] Em Gl 4.10,11 e Cl 2.16,17 a guarda de dias é concenada por Paulo por sua conexão nesses casos com heresias. A situação em Roma era diferente. Os dias eram guardados por causa de má-compreensã. Não havia o envolvimento de heresias e aplicação de justiça derivada de obras.
[2] Confissão de fé de Wetminster, (1647), cap. XXI, seção 5, texto-prova (a).
[3] O povo de Deus é a Igreja; quer se reúnam em edifício próprio, celeiro, estacionamento ou casa. Quando os cristãos se juntam para ouvir a Palavra de Deus, há uma reunião da igreja. Trata-se de culto público quer ele comece às 7h ou às 23h. O culto público deve ocorrer no dia do Senhor, mais isto não significa que o culto público esteja limitado a um dia apenas.
[4] Como demonstramos antes, o Natal é um monumento à idolatria passada e presente; portanto, mesmo sem a intervenção do Princípio Regulador do Culto é errado celebrá-lo no lar, no escritório, na igreja, no clube etc.

Brian Schwertley

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Uma Advertência, de Charles Spurgeon


‘‘Vocês têm ouvido muitos sermões arminianos, eu ouso dizer, mas nunca ouviram uma oração arminiana... Um arminiano de joelhos orará desespe­rada­mente como um calvinista. Ele não pode orar a respeito do livre-arbítrio; não há lugar para isso. Imagine-o orando: ‘‘Senhor, eu te agradeço que não sou como esses pobres calvinistas presunçosos. Senhor, eu nasci com um glorioso livre-arbítrio; eu nasci com poder pelo qual posso me voltar para Ti por conta pró­pria; tenho melhorado minha graça. Se todos tivessem feito o mesmo que eu fiz com a tua graça, poderiam to­dos ser salvos. Senhor, eu sei que Tu não nos fazes espiritualmente propen­sos, se nós mesmos não quisermos. Tu dás graça a todos; alguns não a melhoram, mas eu sim. Haverá muitos que irão para o inferno, tantos quantos foram comprados pelo sangue de Cristo, como eu fui; eles tiveram uma boa chance, e foram tão abençoados como eu sou. Não foi a tua graça que nos diferenciou; eu sei que ela fez muito, mas eu cheguei ao ponto desejado; eu usei o que me foi dado e os outros não — essa é a dife­rença entre eu e eles’’.[1]

Pecador, inconverso pecador, eu te advirto que jamais poderás tu mesmo fazer com que nasças de novo; e embora o novo nascimento seja absolutamente necessário, te é absoluta­mente impossível, a não ser que o Espírito Santo faça isso... Faças o que fizeres, e o melhor que conseguires, ainda assim, há uma diferença, tão grande quanto a eternidade, entre ti e o ho­mem regenerado... O Espírito de Deus precisa fazer-te novo, tu precisas nascer de novo. O mesmo poder que res­susci­tou Jesus Cristo dentre os mortos tem que agir para ressuscitar-nos dos mortos; a mes­ma onipotência, sem a qual anjos e vermes não poderiam ter vindo à exis­tência, precisa se manifestar e realizar uma obra tão grande quanto a que Ele fez na primeira criação, recriando-nos em Cristo Jesus, nosso Senhor. Constantemente a igreja cristã tenta es­quecer isto, mas sempre que esta velha doutrina da regeneração é apresentada clara­mente, Deus se apraz em agraciar a sua igreja com reavivamento... A menos que Deus, o Espírito Santo, que opera em nós tanto o querer como o realizar, opere sobre a vontade e a consciência, a regene­ração é uma absoluta impossibilidade, e assim também a salvação. 

“O quê!”, diz alguém, “Você quer dizer que Deus intervém absoluto na sal­vação de cada pessoa para regenerá-lo?”. Sim, eu quero; na salvação de cada pes­soa há um brotar de poder divino, pelo qual o pecador morto é vivificado, o pecador sem von­tade é feito desejoso, o pecador mais duro e desesperado tem sua consciência amolecida; e aquele que rejeita a Deus e despreza a Cristo é feito prostrar-se aos pés de Jesus. Tem que haver uma intervenção divina, uma operação divina, uma influência divi­na, caso contrário, façam o que puderem, sem isso vocês perecerão e estarão conde­nados — “pois, se um homem não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus...”. Nunca esqueçamos que a salvação de uma alma é uma obra de criação. Pois bem, ne­nhum homem jamais conseguiu criar um inseto... Deus somente cria... Nenhum poder huma­no ou angelical pode intrometer-se nesta gloriosa província do poder divino. Criação é domínio exclusivo de Deus. E em cada cris­tão há uma absoluta criação — “criados de novo em Cristo Jesus”. “O novo homem, segundo Deus, é criado em reti­dão”. 

Regeneração não é a reforma de princípios que lá estivessem an­tes, mas a im­plantação de algo que não existia; é a introdução em um homem de algo novo, chama­do Espírito, o novo homem — a criação não de uma alma, mas de um princípio ainda mais elevado — tão mais elevado com relação à alma quanto a alma o é do corpo... No ato de fazer com que qualquer homem creia em Cristo, há uma mani­festação verdadeira e própria de poder criador, assim como houve quando Deus criou os céus e a terra... Apenas Ele, que formou os céus e a terra, poderia criar uma nova natureza. É uma obra sem paralelo, ela é única e incompa­rável, visto que o Pai, o Filho e o Espírito precisam todos cooperar nela; pois, para implantar a nova natureza em um cristão, precisa haver um decreto do Pai eterno, a morte do eternamente Bendito Filho e a plenitude da opera­ção do adorável Espírito. [2]

Charles Haddon Spurgeon

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Notas:
[1] Spurgeon, Livre Arbítrio, p.17 (Citado por Paulo Anglada em Calvinismo As Antigas Doutrinas da Graça).
[2] Murray, The Forgotten Spurgeon, pp. 87-89. (Citado por Paulo Anglada em Calvinismo As Antigas Doutrinas da Graça).

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Objeções ao conceito da Cessação da Revelação – Parte I


“A palavra final” de Deus a seu povo encontra-se em Jesus Cristo e nas explanações inspiradas de sua pessoa e obra como reservadas nas Escrituras do antigo e do novo pacto. Enquanto a maioria dos cristãos professos se sente muito à vontade, confessando a singularidade da pessoa de Jesus Cristo, muitos encontram dificuldade para aceitar o conceito de que não se deve esperar qualquer outra revelação como orientação para suas vidas além daquela que se encontra na Escritura. As objeções à idéia da cessação da revelação emanam de uma série de considerações.

1. Objeções Bíblicas

A primeira objeção à idéia de um fim da função dos dons revelacionais, hoje, surge da percepção de que essa asseveração diretamente contradiz às exigências bíblicas específicas. O apóstolo Paulo declara: “Não desprezeis as profecias” (1Ts 5.20). Ainda mais intencionalmente, ele declara: “Não proibais o falar em línguas” (1Co 14.39). Quem presumiria pôr-se contra as ordenações inspiradas de Deus e afirmar às pessoas que não podem nem profetizar nem falar em línguas?

Com toda certeza, nenhuma pessoa que afirma a autoridade da Bíblia teria a audácia de opor-se a qualquer ordenação bíblica. Certamente que não faria sentido resistir a mandamentos especificamente bíblicos, quando a intenção é afirmar que as Escrituras contêm em si mesmas a plenitude e a finalidade da revelação divina. Mas a questão não é se a profecia e as línguas seriam proibidas pelos homens. Ao contrário, a questão é se a profecia e as línguas foram levadas à sua plenitude e ao seu objetivo final pelo plano e propósito de Deus.

É um fato que não se pode negar que algumas ordenações divinas se limitaram ao povo de Deus para uma era particular, senão que subseqüentemente foram revisadas, modificadas ou mesmo canceladas. Obviamente, muitos mandamentos dados no Velho Testamento não mais obrigam o povo de Deus de hoje. A despeito da clara proibição bíblica, é plenamente correto cozer um cabritinho no leite de sua mãe. Uma pessoa que vive na época do novo pacto não é contaminada por comer carne de porco ou ostras. Esses preceitos, ainda que claramente divinos em sua origem, não mais determinam o estilo de vida do povo de Deus.

O mesmo princípio é válido para alguns mandamentos na era do novo pacto. Fases e estágios no desenvolvimento do novo pacto podem não ser tão dramaticamente diferentes uns dos outros como no caso dos períodos do antigo pacto. Todavia, é evidente que as diferenças existem. Em certo momento, Jesus enviou seus discípulos e lhes disse que não levassem consigo nenhuma provisão (Lc 10.4). Mais tarde lhes comunicou virtualmente instruções contrárias (cf. Lc 22.36). Num estágio, ele explicitamente os proíbe de irem aos gentios; devem limitar-se “às ovelhas perdidas da casa de Israel” (Mt 10.6). Mais tarde, porém, ele lhes ordena que fossem por todo o mundo e fizessem discípulos de todas as nações (Mt 28.19). Em decorrência da decisão no concílio de Jerusalém, foi comunicada a palavra proibindo a todas as igrejas que deixassem que seus membros comessem animais que uma vez haviam sido estrangulados e contaminados pelos ídolos (At 15.20). Mais tarde, porém, Paulo declara que Deus criou todos os alimentos puros, e que oferecer uma peça de carne a um ídolo não tem efeito algum sobre sua função nutritiva, a não ser que o irmão mais fraco seja conduzido a pecar (1Co 8.4,9).

Mais estreitamente relacionado com o presente tema está a cessação do ofício de apóstolo na igreja. Não há nada na escritura que explicitamente indique que o apostolado teria chegado ao fim. Todavia, geralmente se reconhece que ninguém na igreja hoje aja com a autoridade dos apóstolos originais, visto que ninguém, hoje, seja testemunha ocular da ressurreição de nosso Senhor (At 1.21-22).

Se se reconhecer que o ofício apostólico encerrou-se, então deve-se reconhecer a possibilidade de que o ofício fundamental de profeta também haja cessado de funcionar na igreja atual. Este ofício, além de tudo, é mencionado como segundo em prioridade somente para a posição do apóstolo (1Co 12.28). Além do mais, o ofício de profeta, ao longo dos tempos, serviu como o principal veículo através do qual as matérias revelacionais foram comunicadas ao povo de Deus. Desde a instituição do ofício profético, nos dias de Moisés, Deus falava regularmente aos pais pelos lábios dos profetas (Hb 1.1). Se os ofícios de apóstolo e profeta porventura chegaram ao seu término na igreja de hoje, seria natural concluir que os pronunciamentos revelacionais dos profetas e apóstolos também hajam cessado. Nenhum pronunciamento corrente insinuando autoridade apostólica imprime direção à igreja. Da mesma maneira, seria natural esperar que, com o fim do ofício profético, as palavras revelacionais entregues pelos profetas também chegassem ao fim.

Com respeito às línguas, obviamente seria errôneo proibir uma pessoa de falar em línguas, caso o fenômeno moderno realmente corresponda às mesmas línguas do Novo Testamento. Não importa o choque que causasse numa igreja de nível tradicional, seria injustificável a exclusão desse dom do serviço público de adoração, caso as línguas de hoje fossem as mesmas línguas do Novo Testamento. A clara intenção da admoestação de Paulo visa a anular todo e qualquer esforço de excluir o exercício de um legítimo dom do Espírito no seio do povo de Deus.

Em contrapartida, porém, se as línguas de hoje não são as mesmas línguas do Novo Testamento, então é evidente que uma pessoa não estaria a violentar uma ordenação de Paulo caso se recusasse a permitir alguém de falar no culto de adoração de um modo que estivesse a falar algo que não corresponda às “línguas” do Novo Testamento. Os elementos próprios para se cultuar a Deus devem estar limitados por aqueles exercícios recomendados em sua Palavra, já que os homens não têm nenhum direito de inventar seu próprio modo de aproximar-se do Todo-poderoso. Se as línguas de hoje não correspondem às línguas recomendadas por Paulo, então seria plenamente justo excluí-las do serviço de culto.

Essas ordenanças bíblicas de não se desprezar a profecia e tampouco excluir as línguas só se aplicam às circunstâncias do culto de hoje, caso as “línguas” e a profecia modernas sejam idênticas aos dons do Espírito como funcionaram nos dias dos apóstolos. Se o fenômeno corrente não corresponde aos dons do Novo Testamento, então seria plenamente procedente proibir seu exercício no culto do povo de Deus.

O. Palmer Robertson
Em: A Palavra Final - Resposta Bíblica à Questão das Línguas e Profecias Hoje, Ed. Os Puritanos, pág. 86-89.

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